A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva trouxe consigo uma onda de incertezas para o mercado financeiro brasileiro, evidenciada pela drástica queda de 13,88% do Ibovespa nesta segunda-feira (26). Essa foi a maior desvalorização diária desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020. Com essa movimentação, a bolsa perdeu impressionantes R$ 734 bilhões em valor de mercado, um montante que se aproxima do valor total da Petrobras.
Investidores agora se debatem entre aproveitar os preços mais baixos das ações ou aguardar uma possível estabilização do mercado. Contudo, especialistas alertam que essa queda não implica automaticamente que todas as ações estejam disponíveis a preços vantajosos. É essencial analisar cada empresa individualmente, considerando sua capacidade de geração de resultados e sua saúde financeira.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, enfatiza que uma redução no preço das ações não reflete necessariamente uma perda proporcional na capacidade de lucro das empresas. “Os investidores estão simplesmente aceitando preços menores em função dos riscos percebidos”, comenta. Esse cenário de incerteza leva a uma demanda por maior compensação por parte dos investidores, que estão reavaliando suas apostas após a reeleição de Lula.
A corretora Vault Research destaca que a queda do Ibovespa foi acentuada pela retirada de investimentos que buscavam uma transição para um governo de centro-direita, algo que não se concretizou. Com a reeleição de Lula, cerca de US$ 4 bilhões foram retirados do mercado, pressionando ainda mais os preços das ações. Contudo, os desafios não se limitam ao resultado eleitoral; questões como a situação fiscal do país e a inflação também impactam o desempenho das empresas.
Em meio a esse cenário conturbado, a recomendação do BTG Pactual é de cautela ao escolher ações. O banco sugere priorizar empresas com menor endividamento e que atuem em setores menos sensíveis às oscilações econômicas, como as exportadoras, que podem se beneficiar de um real mais fraco. Entre as recomendações estão nomes como Gerdau, Vale e Embraer, que se destacaram mesmo em um dia negativo para o Ibovespa.
Além disso, as empresas consideradas “defensivas”, aquelas com balanços robustos e capacidade de resistir a cenários de juros altos, também estão na mira dos investidores. O BTG destaca empresas como Ambev e as seguradoras Caixa Seguridade e Porto Seguro como opções promissoras para o momento atual.
A incerteza fiscal e a alta dos juros são fatores que tornam o ambiente ainda mais desafiador. Estudos indicam um aumento significativo no número de empresas em recuperação judicial, refletindo a pressão financeira em um cenário de juros crescentes. Assim, o desempenho do mercado financeiro não apenas dependerá da saúde das empresas, mas também das escolhas e políticas que o novo governo implementará em relação à economia.
Para analistas, a composição do Congresso será crucial para a aprovação de medidas que possam equilibrar as contas públicas. Com um Congresso mais conservador, o governo Lula pode enfrentar obstáculos adicionais na busca por sua agenda econômica, o que, por sua vez, impactará as expectativas do mercado e a confiança dos investidores.
Crédito da imagem: Bolsa despenca 13% após vitória de Lula



