O economista André Lara Resende voltou a ser assunto nas rodas de discussões sobre a política econômica brasileira, após um artigo que publicou em sua newsletter na plataforma Substack em setembro. A proposta de um novo conselho para coordenar as políticas fiscal e monetária ressoou fortemente, especialmente após a deputada Gleisi Hoffmann compartilhar suas ideias nas redes sociais, catapultando o tema para o centro do debate econômico.
Com uma carreira que inclui cargos como presidente do BNDES e diretor do Banco Central, Lara Resende argumenta que a alta taxa de juros é o principal fator que compromete a saúde fiscal do Brasil, e não necessariamente o gasto público, como frequentemente se alega. Segundo ele, a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente se mantém em 13,75% ao ano, é excessiva e prejudicial, concentrando a riqueza nas mãos da elite que detém a maior parte da dívida pública.
Em sua análise, Lara Resende destaca que o déficit fiscal brasileiro, que foi de 0,48% do PIB em 2025, está mais relacionado ao custo elevado dos juros do que a uma gestão fiscal irresponsável. Ele critica a visão predominante no mercado financeiro, que responsabiliza os gastos públicos pela crise fiscal, e propõe a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) que atuaria em conjunto com o Banco Central, estabelecendo metas de longo prazo para a política monetária e fiscal.
Contudo, sua proposta não veio sem controvérsias. Economistas, tanto à direita quanto à esquerda, levantaram preocupações sobre os riscos associados à redução abrupta da taxa de juros proposta por Lara Resende, que poderia potencialmente alimentar a inflação e desestabilizar o câmbio. O economista americano John Cochrane, conhecido por suas teorias sobre política monetária, elogiou a sofisticação do plano, mas também expressou ceticismo quanto à sua viabilidade prática.
É importante notar que, apesar do alvoroço gerado, Lara Resende se distanciou de qualquer associação direta com o governo de Lula, afirmando que não tem intenções de assumir um cargo público. Sua intenção, segundo ele, é apenas contribuir para um debate mais profundo sobre a política econômica do país, que, a seu ver, precisa de uma renovação urgente nas suas abordagens.
A proposta de Lara Resende levanta questões cruciais sobre a relação entre a política fiscal e monetária, e se realmente é possível alcançar um equilíbrio sustentável sem uma coordenação mais eficaz entre essas duas áreas. Enquanto o debate continua, o desafio será convencer o mercado e os formuladores de políticas a reavaliar a maneira como encaram a taxa de juros e seus efeitos sobre a economia brasileira.
Crédito da imagem: Economista André Lara Resende


