Com o desemprego no Chile atingindo impressionantes 9,6%, o maior índice em mais de cinco anos, a situação econômica do país se torna cada vez mais alarmante. O ministro da Fazenda, Jaime Quiroz, em um encontro com empresários cristãos, pediu cautela e evitou o pessimismo, mas os dados recentes sobre a economia não deixam espaço para otimismo. O crescimento dos investimentos, tanto privados quanto públicos, estagnou no segundo trimestre, e o setor da construção civil é um dos principais responsáveis por essa estagnação.
A inflação, impulsionada principalmente pela disparada nos preços dos combustíveis, chegou a 4,1% nos últimos 12 meses. O Chile, que depende fortemente da importação de petróleo, viu o custo de vida subir, afetando especialmente as famílias mais vulneráveis. Este aumento de custos é um reflexo direto das políticas econômicas implementadas pelo governo de José Antonio Kast, que, desde sua chegada ao poder, tem enfrentado uma desaprovação popular crescente, com mais de 60% da população insatisfeita.
A situação se agrava com a queda na produção mineral, um pilar da economia chilena. O setor de mineração, crucial para o país, registrou uma queda anual de 17,4% em agosto, levando a atividade mineradora ao seu nível mais baixo em três décadas. Essa queda não apenas afeta as exportações, mas também contribui para a desaceleração do PIB, que caiu 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, em comparação com o ano anterior.
Para tentar reverter esse quadro, o governo implementou um plano de austeridade fiscal que inclui cortes orçamentários e uma polêmica reforma tributária, que promete reduzir impostos para empresas. Contudo, especialistas questionam se essas medidas gerarão o crescimento e os empregos necessários para compensar a perda de arrecadação fiscal. A discussão no Congresso sobre a Lei Orçamentária para 2027 reflete essa tensão, com a oposição criticando cortes em programas sociais essenciais.
Enquanto isso, a população chilena enfrenta um cotidiano difícil, com o consumo familiar crescendo lentamente e as vendas de supermercados registrando queda. Recentemente, o governo anunciou um novo plano de emprego, prometendo criar mais de 100 mil postos de trabalho nos próximos anos. Este movimento, embora não planejado inicialmente, pode ser um passo necessário para trazer alívio à economia e à população que lida diariamente com os impactos da crise.



