sexta-feira, 30/10/2026

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Desafios na produção de azeite em Gaza diante da destruição de oliveiras e restrições militares

Em meio às cicatrizes deixadas pela guerra, o agricultor palestino Haidar Abu Middain, de 60 anos, testemunha a desolação de suas terras em Gaza. Com um gesto triste, ele arrasta um galho seco de…

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Em meio às cicatrizes deixadas pela guerra, o agricultor palestino Haidar Abu Middain, de 60 anos, testemunha a desolação de suas terras em Gaza. Com um gesto triste, ele arrasta um galho seco de uma oliveira caída sobre o solo árido que um dia abrigou um vibrante pomar familiar de 900 dunums, equivalente a cerca de 90 hectares, repleto de azeitonas. Este cenário, que outrora era sinônimo de prosperidade e colheita abundante, agora se reduz a um punhado de árvores sobreviventes, com a produção praticamente dizimada.

Antes do conflito, a colheita de azeitonas era uma festa familiar; a família de Abu Middain colhia cerca de 1.500 toneladas anualmente, gerando azeite suficiente para abastecer a região central de Gaza. Agora, com a devastação causada por tratores e as restrições de acesso a áreas vitais, estima-se que restem apenas 20 ou 30 oliveiras em sua propriedade, que podem produzir apenas dois tambores de azeite — um volume irrisório frente às necessidades familiares.

As oliveiras, que simbolizavam não apenas a cultura agrícola de Gaza, mas também um refúgio em meio à densidade populacional da região, estão em vias de extinção. Das 2 milhões de oliveiras que existiam antes do conflito, apenas cerca de 150 mil permanecem. As previsões para a colheita deste ano são alarmantes, com uma expectativa de apenas 5 mil toneladas de azeitonas, em contraste com as 40 mil de anos anteriores, resultando em uma produção de 700 toneladas de azeite, comparadas às 5 mil normalmente obtidas.

Os mercados, que costumavam transbordar com a riqueza das azeitonas e azeites frescos, agora enfrentam escassez. O pouco que chega ao consumidor é vendido a preços exorbitantes, cerca de US$ 500 por barril, três vezes o valor anterior ao conflito. Essa situação é insustentável para muitas famílias, como a de Imad al-Ajrami, que se vê impossibilitada de adquirir o essencial.

As poucas prensas de azeite que ainda operam em Gaza, reduzidas a apenas sete, lutam para atender à demanda. Fawaz Zidan, proprietário de uma das prensas, descreve a atual realidade como um eco do que era antes: “É como se não restasse nada. Não há azeitonas; tudo foi arrasado por tratores”, lamenta, enquanto moradores formam filas em busca do que resta do produto.

Em Deir al-Balah, uma das áreas ainda considerada “zona segura”, algumas famílias se reúnem para a colheita. Entre risos e o som das azeitonas caindo sobre panos brancos, a cena é um retrato da resistência. Ahmed Khader, por sua vez, reflete sobre a nova realidade do trabalho agrícola: “Antes, a colheita garantia emprego por meses; agora, sou grato por apenas uma diária”, admite, enquanto busca maneiras de sustentar sua família em tempos difíceis.

A situação em Gaza evidencia não apenas a devastação material, mas também os impactos sociais e culturais profundos da guerra sobre a agricultura local, que sempre foi um pilar da vida cotidiana e da identidade palestina. O futuro das oliveiras e do azeite, símbolos de resistência e sustento, está em jogo num cenário de incertezas.