sábado, 31/10/2026

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Esforços para proteger cidade canadense impactada por tarifas americanas

A cidade de Témiscaming, em Quebec, vive um momento crítico. A fábrica de papel, que há mais de um século é o coração pulsante da economia local, encontra-se paralisada, resultado das tensões comerciais entre…

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A cidade de Témiscaming, em Quebec, vive um momento crítico. A fábrica de papel, que há mais de um século é o coração pulsante da economia local, encontra-se paralisada, resultado das tensões comerciais entre o Canadá e os Estados Unidos. O fechamento da unidade, pertencente à RYAM, deixou seus 360 funcionários sem emprego e gerou um impacto devastador na comunidade. A imposição de tarifas pelo governo americano, sob a administração de Donald Trump, parece ter desencadeado uma crise que ameaça não apenas empregos, mas todo um modo de vida.

O sentimento de desespero é palpável entre os moradores. Nadine Suley, uma das funcionárias afetadas, expressa sua frustração ao afirmar que a situação vai além da perda de um salário; trata-se da perda de um lar. Com a fábrica parada, a cidade vê seu mercado imobiliário desmoronar, e as placas de “Vende-se” proliferam nas ruas. O temor de um êxodo em massa se torna cada vez mais real, à medida que profissionais essenciais — de médicos a balconistas — consideram deixar Témiscaming em busca de melhores oportunidades.

Embora a economia canadense como um todo tenha resistido à guerra comercial, as áreas diretamente ligadas à indústria madeireira, como a de Témiscaming, enfrentam um cenário sombrio. A taxa de desemprego nacional se mantém estável, mas as pequenas cidades e seus setores dependentes estão à mercê das decisões políticas que parecem ignorar suas necessidades. Para Stéphane Lefebvre, líder sindical local, a falta de atenção a esses problemas é uma questão de justiça social: se a crise afetasse grandes centros urbanos, certamente receberia mais cobertura e ação governamental.

O prefeito de Témiscaming, Alain Gauthier, não hesita em atribuir a responsabilidade às tarifas americanas, que considera uma “bomba” para a indústria canadense. Ele pede uma resposta do governo federal, sugerindo que o Canadá deve retaliar com tarifas sobre produtos importados dos Estados Unidos, uma medida que poderia ajudar a equilibrar o jogo, mas que ainda não foi implementada. A inação do governo em relação à crise do setor florestal é uma preocupação crescente para os habitantes, que veem o futuro da cidade ameaçado.

O histórico de resistência da comunidade não é novo. Nos anos 70, quando a fábrica enfrentou uma crise semelhante, os trabalhadores se uniram para comprá-la e reverter o destino sombrio que lhes aguardava. Essa união e determinação são a esperança de muitos, que agora buscam mobilizar esforços para recomprar a unidade da RYAM. No entanto, essa nova empreitada depende crucialmente do apoio governamental, que muitos acreditam ser insuficiente até o momento.

Enquanto isso, os cidadãos de Témiscaming se preparam para o pior, mas também sonham com um futuro em que a fábrica volte a ser um símbolo de resistência e prosperidade. Com as próximas eleições nos Estados Unidos no horizonte, muitos esperam que uma mudança política possa aliviar a pressão das tarifas. Mas, independentemente do que aconteça, a determinação de Lefebvre e seus companheiros de luta em fazer com que a fábrica volte a pertencer à comunidade permanece firme. “Estamos no jogo 7 agora”, ele diz, ressaltando a resiliência de uma população que se recusa a desistir de seu lar.