A elevada conta de luz dos brasileiros é um tema que gera preocupação, especialmente quando se observa o impacto significativo nos orçamentos familiares e empresariais. Um exemplo emblemático é uma mini cidade na Zona Norte do Rio de Janeiro, que abriga mais de 3 mil moradores em 400 apartamentos, e enfrenta uma conta de luz mensal de R$ 40 mil, representando entre 20% e 40% do custo total do condomínio. Essa realidade, segundo o síndico Jorge Lima, limita a capacidade de investimento em melhorias e serviços.
Apesar de o Brasil contar com uma matriz energética predominantemente renovável, que inclui hidrelétricas, energia eólica e solar, a conta de luz ainda pesa significativamente no bolso do consumidor. Um estudo recente do economista Daniel Duque, da Fundação Getúlio Vargas, revela que mais de dois terços da fatura de energia não estão relacionados ao custo da eletricidade em si. Em 2025, aproximadamente 30,4% da conta será composta apenas pelo valor da energia, enquanto outros itens, como distribuição, transmissão, encargos setoriais e tributos, respondem por uma fatia maior do total.
Além disso, a obrigatoriedade de adquirir energia de termelétricas e as bandeiras tarifárias, que aumentam os custos em períodos de seca, contribuem para o encarecimento da luz. Apesar de não estarmos entre os países com as tarifas mais altas do mundo, as tarifas brasileiras superam as de nações com perfis energéticos similares, como Canadá e Noruega, que conseguem oferecer preços mais acessíveis. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de governo para mitigar as perdas na transmissão e distribuição é um dos fatores que precisa ser abordado.
A indústria também sente os efeitos desse cenário. Cacio de Moura Rodrigues, gerente de Meio Ambiente da Frescatto, uma empresa de processamento de pescado, destaca que os altos custos de energia impactam diretamente na competitividade da produção. Para contornar essa situação, a empresa investiu em energia solar e tecnologia de gestão energética, resultando em uma redução de 30% nos custos. Rodrigues enfatiza a necessidade de políticas públicas que promovam a energia limpa e barata, o que poderia estimular o mercado e gerar mais empregos.
Portanto, a questão da conta de luz no Brasil é complexa e multifacetada, envolvendo desde a estrutura de tarifas até as políticas energéticas. É essencial que o debate sobre o assunto avance, buscando soluções que possam aliviar o peso da conta de luz sobre os cidadãos e a economia.


