Em meio a um cenário econômico desafiador, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta sexta-feira (23) a abordagem cuidadosa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o ajuste das contas públicas. Segundo Durigan, a proposta não se baseia em medidas drásticas, evitando “dar cavalo de pau” na economia, com o objetivo de controlar a crescente dívida pública e reduzir a taxa de juros, buscando assim um impulso para a economia que vem enfrentando desaceleração.
Durante uma entrevista ao Uol, Durigan, que fala em nome da campanha de Lula, criticou a ideia de um ajuste fiscal agressivo de R$ 200 bilhões em um único ano, considerando-a inviável. “Melhorar o fiscal é essencial, mas sem retrocessos. Um corte tão significativo, como o proposto, traria mais clareza se incluísse a suspensão de reajustes e cortes em programas sociais”, ponderou o ministro.
As preocupações sobre a trajetória das contas públicas têm ganhado destaque entre analistas, que alertam para os déficits fiscais acumulados nos últimos anos, os quais pressionam a taxa de juros e, por consequência, a dívida pública. A demanda por um ajuste fiscal mais robusto por parte do governo é crescente, especialmente na comparação com a proposta de Flávio Bolsonaro, que promete um “tesouraço” mais imediato nos gastos públicos.
O programa de governo de Bolsonaro enfatiza um equilíbrio fiscal rápido, com compromissos de reforma do Estado e combate à corrupção, enquanto a coordenadora de sua campanha, Daniella Marques, alegou não estar disponível para comentar os planos de ajuste durante a entrevista.
Os economistas, no entanto, se mostram céticos quanto à viabilidade de um ajuste fiscal abrangente sem comprometer os programas sociais e os aumentos do salário mínimo e das aposentadorias. Nesse contexto, Durigan reiterou que a proposta do Partido dos Trabalhadores se concentra em um ajuste mais gradual, com uma meta de dois pontos do PIB durante um possível quarto mandato de Lula.
O governo planeja apresentar um superávit nas contas até 2027, embora essa previsão seja vista como desafiadora, especialmente considerando as promessas de aumento do Bolsa Família. A meta de ajuste fiscal, que visa transformar um déficit primário de 0,4% do PIB em 2026 em um superávit de 1,6% do PIB até 2030, é ambiciosa, de acordo com o relatório da Instituição Fiscal Independente, que ressalta a necessidade de um superávit primário anual de 2,1% do PIB apenas para estabilizar a dívida pública.
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