sexta-feira, 30/10/2026

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Nova legislação encerra a escala 6×1 e estabelece prazos para adaptação das jornadas de trabalho

A promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 representa um marco significativo na legislação trabalhista brasileira. A mudança, que garante aos trabalhadores dois dias de descanso remunerado por…

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A promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 representa um marco significativo na legislação trabalhista brasileira. A mudança, que garante aos trabalhadores dois dias de descanso remunerado por semana, foi oficializada pelo Congresso Nacional na última sexta-feira (16) e promete impactar profundamente a dinâmica do mercado de trabalho no país.

Esta é a primeira alteração nas normas gerais da jornada de trabalho desde a Constituição de 1988, quando se discutiu a redução das horas semanais de 48 para 40, mas acabou-se fixando o limite em 44. Com a nova emenda, a Constituição agora estabelece um teto máximo de 40 horas semanais, mas a implementação não será imediata. De acordo com o advogado trabalhista Hugo Luiz Schiavo, as novas diretrizes entrarão em vigor dois meses após a publicação oficial da emenda no Diário Oficial da União.

Durante o primeiro ano de transição, a jornada máxima será de 42 horas semanais, antes de ser reduzida definitivamente para 40 horas. As empresas terão que se adaptar a essa nova realidade, o que pode incluir reorganização das escalas de trabalho e possíveis contratações adicionais, uma vez que a redução da jornada, sem diminuição salarial, pode elevar os custos operacionais em cerca de 10% por hora trabalhada, como alerta o advogado Jorge Soares.

O novo regime também traz desafios e oportunidades para as empresas. A advogada Tatiana Sant’Anna destaca que a mudança deve ser encarada como uma oportunidade de reestruturação organizacional e não apenas como uma simples alteração de controle de ponto. As empresas precisarão mapear suas operações e se preparar para adequar suas práticas às novas normas, o que pode incluir a necessidade de negociações coletivas em certos setores.

Os trabalhadores, por sua vez, devem se beneficiar de um maior tempo livre, uma vez que a proposta assegura dois dias de descanso por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. No entanto, as categorias com escalas especiais, como saúde e segurança, poderão ter regras específicas para a organização da jornada, respeitando as novas diretrizes estabelecidas.

Com a promulgação da emenda, o futuro do trabalho no Brasil está em transformação. Embora a mudança traga benefícios claros para os trabalhadores, o sucesso da implementação dependerá de um planejamento cuidadoso por parte das empresas, que devem estar preparadas para enfrentar os desafios que surgirão nos próximos anos.