sexta-feira, 06/11/2026

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Paraguai inicia processo de reembolso para clientes do Ueno Bank

A crise financeira que abala o Paraguai está tendo repercussões diretas sobre a comunidade brasileira que reside nas regiões de fronteira. O tumulto começou com uma intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank,…

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A crise financeira que abala o Paraguai está tendo repercussões diretas sobre a comunidade brasileira que reside nas regiões de fronteira. O tumulto começou com uma intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank, que deixou cerca de 3 milhões de correntistas sem acesso aos seus recursos. A situação levou a uma severa crise política, resultando na renúncia do presidente do país, Santiago Peña.

Na última quinta-feira (5), o Banco Central iniciou o pagamento dos primeiros valores aos clientes do Ueno Bank, que havia enfrentado problemas financeiros alarmantes. José Maciel, diretor da Unidade Administradora do Fundo de Garantia de Depósitos, confirmou à agência AFP que a liberação dos recursos se destinava a correntistas com depósitos de até R$ 8,9 mil, sem dívidas com a instituição e que possuam contas em outros bancos.

O Ueno Bank, considerado o maior banco digital do Paraguai, não só é o principal emissor de cartões de crédito no país, mas também gerencia aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo aposentadorias e pensões. A crise se intensificou após um ajuste nos balanços do banco, que fez com que seu índice de solvência caísse para patamares preocupantes, abaixo do mínimo estipulado por regulamentações financeiras.

Além das dificuldades financeiras, o escândalo provocou protestos de clientes que se viram sem acesso aos seus fundos, afetando especialmente aposentados que dependem de benefícios do governo. O governo paraguaio, sob pressão, se viu forçado a anunciar um acordo para acelerar a votação de um projeto que permitirá o uso do Fundo de Garantia de Depósitos para ressarcir os clientes prejudicados.

Com a crise, o ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo, enquanto o presidente Peña se viu pressionado a deixar o cargo na quinta-feira (5), alegando que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”. A situação, embora apresentada como isolada, levanta sérias preocupações sobre a estabilidade do sistema financeiro paraguaio e a confiança da população em suas instituições financeiras.