sexta-feira, 30/10/2026

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Propostas dos candidatos à presidência sobre o salário mínimo: um panorama das campanhas eleitorais

Atualmente, o salário mínimo no Brasil, fixado em R$ 1.621, representa um valor essencial para 61,9 milhões de brasileiros, conforme dados do Dieese. Essa quantia é especialmente significativa para aposentados e pensionistas, que não…

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Atualmente, o salário mínimo no Brasil, fixado em R$ 1.621, representa um valor essencial para 61,9 milhões de brasileiros, conforme dados do Dieese. Essa quantia é especialmente significativa para aposentados e pensionistas, que não podem receber menos do que o piso nacional, de acordo com as legislações vigentes.

Nos últimos anos, a política de reajuste do salário mínimo passou por transformações importantes. Durante a gestão de Jair Bolsonaro, até 2022, os aumentos ficaram aquém da inflação, mas, sob a administração de Luiz Inácio Lula da Silva, houve a reintrodução do reajuste real, que considera a inflação e o crescimento do PIB.

A Constituição brasileira estabelece que o salário mínimo deve ser corrigido periodicamente, garantindo a manutenção do seu poder de compra. Essa revisão pode, inclusive, resultar em aumentos acima da inflação. Com o retorno de uma política de valorização do salário mínimo, a renda dos brasileiros, assim como a arrecadação do governo, viu um crescimento, embora isso também tenha contribuído para um aumento nas despesas públicas.

Em um cenário eleitoral, o g1 se dedicou a investigar as propostas dos candidatos em relação ao salário mínimo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, representando a campanha de Lula, confirmou que a fórmula atual de correção será mantida em um possível novo mandato, com um aumento projetado para R$ 1.741 em 2027, preservando o ganho real no salário mínimo e a vinculação dos benefícios previdenciários ao piso.

Por outro lado, a equipe de Flávio Bolsonaro não deu respostas diretas sobre possíveis mudanças na fórmula de correção do salário mínimo, reiterando apenas que o candidato não pretende mexer no piso salarial ou nas aposentadorias. Essa falta de clareza levanta questões sobre como a proposta se traduziria em prática, especialmente em tempos de contenção de gastos.

As mudanças na política de reajuste do salário mínimo começaram com a gestão de Bolsonaro, que se baseou apenas na inflação do ano anterior, sem considerar aumentos reais. Após assumir em 2023, Lula resgatou a fórmula anterior, que inclui a variação do PIB, mas limitou o aumento real a 2,5%. Se a política do governo anterior tivesse sido mantida, o salário mínimo atual seria R$ 170 inferior ao vigente.

O impacto do aumento real do salário mínimo não se restringe apenas aos trabalhadores formais; ele também beneficia aposentados e pensionistas. Essa política, ao elevar o piso nacional, tem contribuído para a redução das desigualdades salariais no país. Entretanto, essa elevação também gera pressão sobre as contas públicas, com cada aumento de R$ 1 no salário mínimo implicando em mais de R$ 400 milhões em gastos adicionais anuais para o governo.

Com déficits recorrentes nas contas públicas desde 2014, a alta no salário mínimo, combinada com outras despesas governamentais, tem contribuído para um aumento significativo da dívida pública, que chegou a 82,9% do PIB em agosto. A situação exige um equilíbrio delicado entre a valorização do salário mínimo e a sustentabilidade das contas públicas.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Tho-Ge (pixabay)