O cenário das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos pode estar prestes a mudar com a expectativa de uma proposta do governo americano, prevista para chegar entre esta semana e o início da próxima. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, confirmou que o documento deve incluir sugestões de concessões comerciais, incluindo potenciais reduções tarifárias em setores específicos.
Em uma coletiva a jornalistas, o ministro detalhou que as negociações comerciais seguem um padrão em que uma parte apresenta a proposta inicial e a outra responde com suas próprias ofertas. “Estamos aguardando um termo de referência que delineará as áreas de interesse dos EUA em termos de redução tarifária. Assim que recebermos, responderemos de acordo com o que é mais benéfico para o Brasil”, explicou Elias Rosa.
O ministro também destacou que a elaboração desse documento está em andamento por parte dos Estados Unidos. Apesar das tensões políticas, ele reafirmou que as conversas informais continuaram e que os americanos estão comprometidos em avançar nas negociações. “Eles têm seu foco nas áreas que desejam ver reduzidas as tarifas, e nós responderemos com nossas prioridades”, complementou.
Questionado sobre a influência das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos nas negociações, Elias Rosa foi claro ao afirmar que isso não deverá impactar os diálogos: “O Brasil tem seu próprio caminho a seguir e o que define as eleições é o povo americano”, disse.
Esse movimento ocorre em um contexto em que o Brasil enfrenta tarifas elevadas impostas pelos EUA, que variam de 12,5% a 25%, com justificativas que incluem práticas consideradas desleais e a falta de controle sobre a importação de produtos associados ao trabalho forçado. Em resposta a essas tarifas, o governo brasileiro já formalizou um pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando tratamento desigual por parte dos EUA.
Além dessas negociações comerciais, o Brasil também se prepara para discutir sua Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro mencionou que em breve será realizada uma reunião para definir quais minerais serão classificados como críticos e estratégicos, ressaltando que essa definição não deve trazer grandes surpresas.
A nova política se concentra em minerais essenciais para a economia e para a transição energética, como lítio e níquel, que são fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e de alta tecnologia. Elias Rosa enfatizou que a priorização de cadeias produtivas não exclui outras possibilidades, mas serve como um ponto de partida para um planejamento mais amplo e estratégico.



